A Dicotomia do Erudito e Popular e suas Implicações no Ensino Musical

Artigo de Daiany Gazotto Dezembro e Samuel Borelli

 

 

A dicotomia do erudito e popular e suas implicações no ensino musical

MODALIDADE: COMUNICAÇÃO

 

Daiany Gazotto Dezembro
Faculdade Souza Lima – daiany_dgd@yahoo.com.br
Samuel Declercq Borelli
Faculdade Souza Lima – samuelborelli@gmail.com

Resumo: Este artigo busca, por meio de uma revisão bibliográfica, traçar um percurso histórico sobre o desenvolvimento pedagógico-musical no Brasil, considerando o frequente contato entre as chamadas “música erudita” e “música popular”. A partir dessa discussão, o artigo questiona as consequências e extensões pedagógicas desse processo no que diz respeito aos critérios adotados ainda hoje nos conservatórios e escolas de músicas para a definição do conteúdo programático de cursos de formação musical.

Palavras-chave: Educação Musical. Música Popular. Música Brasileira. Conteúdos programáticos. Formação musical.

Title of the Paper in English: The Classical And Popular Dichotomy And Its Implications In Music Education

Abstract: Through bibliographic review, this paper presents a historical panorama on the development of music pedagogy in Brazil, focusing the frequent frictions among the so-called “classical” and “popular” music. Then, the article questions the consequences and pedagogical developments of this process considering the criteria adopted by music conservatories and music schools on the definition of programmatic contents of its courses.

Keywords: Musical education. Popular music. Brazilian music. Programmatic contents. Music training.

          1. Por um caminho histórico

          Traçar um percurso histórico sobre o desenvolvimento pedagógico-musical no Brasil remete-nos a uma revisão bibliográfica da literatura musical de forma a trazer contribuições ao debate “do lugar que a música ocupa na vida brasileira e do modo de formação da música brasileira moderna, que resulta frequentemente do contato entre o erudito e o popular” (WISNIK, 2007, p. 57), e suas consequentes extensões pedagógicas.
A partir da fundação do primeiro conservatório musical, em 13 de agosto de 1848 (MARTINS, 1993, p. 164), o ensino de música no Brasil amplia-se com o surgimento de escolas específicas nos centros urbanos mais desenvolvidos, refletindo o anseio de ascensão social e cultural de uma burguesia latente – como descreve Mário de Andrade através do fenômeno da pianolatria, que por mais de um século colocou o Brasil “entre os cinco primeiros países importadores de partituras francesas. Grande quantidade referia-se a peças para piano, constituídas de danças de salão ou transcrições para piano de aberturas e árias de óperas” (MARTINS, 1993, p. 164-165) – repertório este que permeava os programas de saraus familiares ou apresentações públicas.

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